quarta-feira, 4 de março de 2015

O erro de muitos músicos

Toco teclado desde os 12 anos de idade, hoje estou com 34, já faz um bom tempo. Sempre toquei na igreja. Inicialmente na igreja dos meus pais, hoje faço parte da Igreja Batista Nacional Vila Jardim. Nesta foi onde me envolvi com uma galera muito legal, gente boa, e bons músicos também.

Quando comecei a aprender teclado, na verdade piano, eu percutia muito o teclado, e isso é ruim, porque a gente perde um pouco a noção de harmonia. Uma nota puxa a outra, conversa com a outra, uma acorde puxa o outro e assim vai.

Percebo por exemplo que quando as pessoas vão tocar músicas do Cantor Cristão, por exemplo, se prendem à harmonia clássica, dos tons maiores, poucas diminutas, e muitas vezes não fazem a modulação correta para a igreja.

Nem toda música que é cantada pode ser tocada para a igreja em seu tom original, isto porque, a tradição musical dos hinos do Cantor Cristão foi feita par ser cantada com divisão de vozes, ou seja, baixo, tenor, contralto e soprano. No entanto com o passar do tempo essa divisão foi perdida e hoje se canta em uníssono, ou seja, todos com uma mesma melodia.

Sendo assim, o que devemos fazer hoje é modular o tom que fique intermediário, ou seja, bom para todos. Um dos passos para isto é ver mentalmente o coro da música que geralmente é alto, e tentar modular de forma que fique agradável para se cantar.

Tocar de ouvido é bom? Sim, porque lhe dá liberdade para modular e interpretar, porém saber teoria e técnicas ajudam a entender o que está se fazendo.

Uma outra coisa muito comum também é o vício do playback. Playback é legal, mas desde que se saiba utilizar. Conheço um cantor que só utilizava playback, um dia precisou cantar ao vivo e não conseguiu. Playback vicia. Porque também atrapalha na modulação. Quem canta muito com playback tem dificuldade de modular. Em se tratando de coral pior ainda. Um certo professor disse o seguinte quem rege com playback não rege é regido. Ver uma orquestra ao vivo é lindo, é dinâmico.

Um outro ponto interessante é a questão dos arranjos musicais. Até hoje me lembro de uma ministra de música que disse para o grupo no qual eu fazia parte, vocês tocam com o mesmo arranjo, e era verdade. Por exemplo, se um teclado faz um ritmo, a guitarra tem que fazer outra coisa diferente.

Não faz sentido ter duas guitarras e um violão fazendo uma mesma coisa. Se tem dois teclados, um faz piano, o outro faz cordas, se tem duas guitarras, uma faz base, a outra solo, se tem duas guitarras e um violão, uma faz solo, a outra faz base, e o violão faz arpejo.

Vamos agora falar dos bateristas. Acho que é o grande calo de qualquer grupo. Baterista, entenda uma coisa, pra tocar um instrumento tem que ter técnica, não é de qualquer jeito. Escute o arranjo original, tente imitar o músico, veja o arranjo que ele fez, ele estudou pra isso.

Você não toca sozinho, quando se toca sozinho, tudo bem, mas quando se toca com outras pessoas se deve ter o cuidado para que o instrumento não cubra o outro.

Ado ado ado, cada um no seu quadrado, tecladista, deixe o baixista em paz. O baixo e o teclado nas notas graves participam do mesmo campo harmônico, então tecladista, não invada a região do baixo, vá para a região mais aguda.

Tudo no tempo certo de cada coisa, vejo muita gente que faz assim, vamos tocar, aí começa todo mundo junto, baixo, teclado, bateria, guitarra, aquela confusão, é sempre assim? Não. Veja o arranjo, muitos arranjos só começam o violão, outros só o teclado, outros só cordas, nem sempre todo mundo começa junto. E isso dá mais beleza para a música, fica mais dinâmico.

Deixe a igreja cantar sozinha, muitas vezes há momentos que os músicos devem ficam em silêncio, afinal, sem silêncio não há som. Existem arranjos que a igreja canta sozinha por alguns momentos, e fica só a bateria, ou os instrumentos só fazendo um pequena base, depois eles entram.

Solo é lugar de destaque mesmo, durante o solo, se o instrumento está em destaque ele realmente deve aparecer, mas terminado o solo ele volta ao seu volume padrão.

Dinâmica, dinâmica é exatamente a questão do som mais ou menos intenso, quase todos os instrumentos tem isso. Exceto alguns teclados que não tem sensibilidade. Você está tocando um instrumento e não batendo um prego na parede, suavidade, amor, carinho com aquilo que você está fazendo. Zele pelo seu instrumento, não o danifique, limpe tenha zelo, afinal, música pode ser uma ciência, mas também é uma arte, e como artífices, devemos aprimorar cada dia mais e mais a obra.

Finalmente, se você se encaixou em algum desses perfis não fique chateado, essas dicas adquiri em anos de experiência, ouvindo, lendo, e muitas vezes a crítica serve de alerta para corrigirmos os erros e assim termos uma melhor produção musical. E o mais importante, toque com a alma, estamos emprestando a nossa sensibilidade à música.

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